sábado, 15 de outubro de 2005

Fim-de-semana de Outubro

O Pedro Afonso foi para um acampamento de escuteiros.
A Mafalda foi brincar com o Tomás.
A campanha acabou. Um certo vazio.
Um casal amigo convida-nos para almoçar e acabamos por passar lá a tarde, conversando e confraternizando.
Foi fácil e foi agradável.
Chego a casa e ligo o computador, antes de sair para ir ao fogo de conselho do Jamboree, em São Lourenço. Parece que os escuteiros não foram autorizados a acampar no local onde decorreram as Festas de S. Lourenço. Não me quero aborrecer com isso. Paciência. Não vou pedir contas a ninguém da Câmara sobre isso.
Navego pelos blogs habituais, à procura de textos interessantes e pensamentos a reter na memória.
Vou ao Quarta República e encontro uma imagem que vou publicar, com respeito pelo crédito de colocação original.

Uma bela imagem, sem dúvida.

Continuo a navegar e chego ao Extranumerário, um blog fantástico sobre poesia contemporânea. Vale a pena uma visita. O seu autor, Gonçalo Nuno Martins, que não conheço, tem veia artística.

Não resisto, após as eleições autárquicas, a transcrever o pema "A quadrilha". Cá vai:

Avelino já tem dentes do siso

Concorre com os “Malucos do riso”

E quando não vai ao bordel

Fica a ler Maquiavel

Ainda quer roubar mais vezes

Nada resta no Marco de Canavezes

O people de Felgueiras axa cool

A doutora Fátima e o saco azul

“Ela vai à bola todas as semanas

E no final paga o fino e as bifanas”

Ó Fatinha fazias cá uma falta

Nada como uma ladra pra animar a malta

Valentim é o maior do campeões

Oferece varinhas-mágicas e televisões

Festa e sardinhada na avenida

E que se lixe a câmara falida

Que o major está bem de vida

O Isaltino é um queridinho

Guarda o dinheiro do sobrinho

E ao Domingo vai à missa

Rezar pelas contas da Suíça

E se a eleição der para o torto

Compra um táxi e rouba no aeroporto

Ó ladrõezecos deixem-se de modas

O vosso problema é falta de fodas.

Não fui eu que escrevi. Mas está interessante.

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

O que me pediram

Pediram-me hoje ao almoço que não escrevesse sobre coisas tristes e deprimentes. Que escrevesse antes sobre coisas alegres, sobre o prazer da vida. A história do exaurido Miguel era, de facto, triste.
Percebi, de imediato, que era uma boa verdade. Fingi não prestar muita atenção, mas quem me avisou tinha razão.
Sempre fui uma pessoa alegre, bem disposta, que tem prazer em viver.
Um outro amigo, que guardo desde a infância, mandou-me um mail a desafiar-me para, no próximo fim de semana, irmos ao autódromo do Estoril, ver a fórmula alternativa à F1 - a A1. O nosso concorrente, qualquer coisa Parente (apelido) está mal colocado na tabela mas é sempre uma promessa a parece que promete fazer qualquer coisa de interessante a correr em casa. É uma boa opção. Talvez aceite o repto e lá iremos até à AML.
Outro amigo, ex-Secretário de Estado, bem como outro amigo, seu ex-Chefe de Gabinete, telefonaram-me ontem a desafiar-me para um jantar em Lisboa, a meio da próxima semana. Sou capaz de aceitar o desafio.
Sei que tenhos bons amigos, que se preocupam comigo, que me querem ver bem disposto. E isso é muito importante e extraordinariamente gratificante na vida.
Vale a pena ter família e amigos. É meio caminho andado para a nossa felicidade. Para a minha, é. De certeza!
Bom fim de semana.

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Miguel, o exaurido - Conto de ficção

Miguel vinha exaurido.
As pernas tremiam que nem varas verdes. Nunca havia pensado que poderia assistir a uma cena daquelas.
Sentou-se. Levantou-se. Sentou-se. Voltou a levantar-se. Lavou a cara no bebedouro público onde, a custo, conseguiu afastar os pombos que por ali costumam habitar em dias de calor.
A escola havia-a deixado aos dez anos de idade, quando resolveu partir com os homens dos carrinhos de choque, no final de mais uma Feira Anual. Desde então, nunca mais pegou em livro algum. Mal sabia ler ou escrever, mas em contas de cabeça era um ás, ninguém o conseguia enganar. Talvez por isso ganhou o epíteto de ministro da droga.
Essa era a sua actividade. Comprar e vender, traficar, roubar. Nunca matou e não tomava drogas duras. Sabia que não o poderia fazer, pois isso seria o seu fim. Fumava uns charros, não dispensava a sua ganza.
Nunca esteve preso. Uma vez, de noite, em pleno Inverno, após o início de novo ano, conseguiu fugir por uma vala de esgoto, após uma rusga em Almada. Andou desaparecido durante quase uma semana e, quando surgiu em casa de Matilde, a namorada, ia doente. Esteve internado durante mais de um mês no Hospital, com difteria e tuberculose. Nunca mais foi o mesmo, ficou para sempre franzino, seco de peles e de olhar, sorriso triste e pose deslombada.
Porém, naquela noite, teve de se fazer forte e corajoso.
Entrara em casa de Matilde, como habitualmente, em busca do seu sossego e de um pouco de conforto no regaço da sua amiga de infância, auxiliar num lar de crianças abandonadas. Uma mulher pobre mas honrada, amargurada pelos azares que a vida lhe trouxe mas séria, triste mas digna. Nunca disse a Miguel que uma certa vez, abortou, impedindo que o filho de ambos chegasse a nascer. Estava de esperanças há 8 semanas quando decidiu que o rebento nunca haveria de conhecer este mundo, nem o pai, nem a mãe. Para não ter de cair na mesma vida, na mesma miséria, na mesma desgraça. Fê-lo por amor.
Miguel procurou Matilde mas não a encontrou. Por isso, sentou-se e ligou o televisor. Enrolou mais um charro, que tragou com uma mini e adormeceu ainda antes do final da primeira parte do jogo entre o Benfica e o Sporting, um clássico que não lhe despertou interesse. O seu desinteresse era devido a outros interesses da sua vida.
Quando acordou, pelas quatro da madrugada, estava amarrado a uma cadeira, a casa revolvida e Matilde, em frente de si, enforcada com um bilhete pendurado no vestido e o seio pendurado por fora do vestido rasgado.
Ao longe, Miguel conseguiu ler: “NUNCA MAIS VENDAS DROGA IMPURA. ÉS O PRÓXIMO”. A assinatura era de Cajó, um cliente, que agiu assim zangado com a falta de pureza do ‘cavalo’ que Miguel lhe havia vendido.
Atrás de si, um rastilho consumia-se em direcção a uma botija de gás. E ele amarrado, impotente para se mover, sem força para sair dali.
Conseguiu ir buscar forças onde nunca pensou que elas estariam guardadas e atirou-se para o chão, rastejando em direcção à porta da rua. Estava fechada. Restou-lhe fazer novo esforço e atirar-se da janela.
Caiu do primeiro andar no pavimento de terra batida e a cadeira, partiu-se. Conseguiu fugir mais uns metros e, ao olhar para trás, viu desaparecer num colorido vermelho, amarelo e laranja, toda uma existência, uma vida e conforto.
Correu o mais que pode e foi assim que o encontrei.
Miguel vinha exaurido.

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Dias do futuro

No passado Domingo, foram criadas condições para mudar a minha vida, as minhas rotinas, os meus objectivos.
Posso agora olhar com mais detalhe para outras coisas que tenho deixado descuradas: a minha família, por exemplo.
O meu filho mais velho perguntou-me na Segunda-feira de manhã se eu tinha vencido ou perdido as eleições. Quando lhe respondi que perdi, ele soltou um sonoro "FIXE!".
Quis saber do seu contentamento e ele respondeu que, assim, bem vistas as coisas, eu passaria a ter mais tempo para ele, para a irmã e para a mãe.
É verdade. Tive de concordar.
Tenho pena de não logrado vencer mas já passou.
Paciência. Não foi essa a vontade dos eleitores, aceito-a. Propus um modelo diferente, as pessoas não o quiseram, sem ressentimentos as coisas seguem o seu destino. O futuro dirá se bem ou mal. Oxalá bem!
Vou, então, dar mais valor à família, à amizade, às viagens, ao trabalho, à leitura, à escrita, ao cinema, aos espectáculos de música e teatro, ao desporto.
Sobretudo, gosto imenso de escrever. E tenho tanto para passar a escrito. Experiências de vida, episódios, pensamentos, gostos, histórias...
Já (re)comecei a escrever. Para mim. Para a minha gaveta. Para meu consumo. Sinto-me bem quando escrevo e encontro o meu outro eu, do lado de lá do papel ou do monitor do computador a falar comigo e é nesse diálogo entre o ego e o alter-ego que construo as minhas mensagens.
Vou viajar quando puder e tiver disponibilidade de tempo e de dinheiro para tal.
Vou cuidar do corpo e da mente.
Vou dar mais tempo aos meus filhos e à minha mulher. E à minha restante família também.
É isso que vou fazer. Sem deixar de exercer os meus direitos cívicos. Sem deixar de, quando oportuno, exprimir a minha opinião e a minha visão dos acontecimentos. Sem deixar de participar na vida da comunidade, a diversos níveis de envolvimento, nomeadamente associativo.
Mas, sobretudo, vou tentar obter da vida o maior gozo que ela me poder proporcionar, junto daqueles que me são mais queridos e mais gostam também de mim.
Olho para a rua e vejo a chuva.
Gosto dos dias de chuva. Sim, é verdade. Gosto dos dias de chuva, mas não gosto deles frios, antes os prefiro mornos ou mesmo quentes.
A neblina do chuvisco, num dia austero de chuva forte outonal com o céu forrado a seda cinzenta impede-me de ver os recortes precisos do horizonte. Tudo fica desfocado. Tudo fica diluído e perde-se a nitidez da linha do horizonte e parte da amplitude da vida.
Quando chove, viro-me mais para dentro de mim e aproveito para pensar, para reflectir, para amadurecer ideias e conceitos, para me conhecer melhor.
Procuro encontrar melhor o horizonte, mesmo sem o ver nitidamente. Imagino-o, idealizo-o e vejo-o, sinto-o, por vezes até o consigo cheirar.
Não preciso de ver o sol para saber que ele existe. Pode estar tapado pelas nuvens mas sei que ele está lá e chegará o dia e a hora, depois das chuvas em que ele ressurgirá brilhante para mim e para todos. Não o quero só para mim. Sei que o sol faz falta, como o faz a chuva, o orvalho, a vida florescente na Primavera e todos os equilíbrios da natureza.
Não preciso de ver a linha do horizonte todos os dias porque sei que ela existe, ainda que por vezes escondida.
Serão estes os dias do meu futuro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Falta menos de um mês

Todos os dias estou mais e mais confiante.
Há muitos anos que não via tanto entusiasmo e tanta gente em redor de um projecto político em Abrantes.
Este entusiasmo é contagiante e estou cada vez mais motivado. Penso que isso se reflecte no entusiasmo que, por sua vez, contagia toda a equipa de candidatos e as pessoas que, espontaneamente, vão aderindo à nossa odisseia.
É cada vez mais nítido o que vai acontecer. Podem crer.
No dia 9 de Outubro, Abrantes vai decidir. Penso que vai decidir bem.