sexta-feira, 23 de março de 2007

Novelos& novelas – acto 1

Solicitou-me o director deste jornal que eu passasse a escrever, com regularidade, uma coluna de opinião. O Rolando Silva nem sabe onde se meteu – digo eu! – mas recordo-me que ele insistiu e lembrou-me que seria uma forma de continuar ligado ao projecto.
A princípio disse que não escreveria coisíssima nenhuma mas ponderei, reponderei, dormi sobre o assunto e aqui estou a fazer uma experiência, repito, uma experiência. Eu estou a experimentar esta fase nova, o jornal está a experimentar um novo colaborador, alguém que bem conhece o jornal, mas que agora colabora à distância, por fora, sem intromissão de qualquer espécie na vida do periódico. Envio os textos através de correio electrónico, leio o jornal no dia em que ele sai, à noite normalmente, depois de regressar a casa.
Escrever com regularidade implica compromisso, dedicação, talento, domínio da língua portuguesa, capacidade de segurar leitores ao papel. Para mim, significa ainda uma tentativa de ser fiel às minhas convicções, de ser autêntico mas de ser, ao mesmo tempo, equilibrado, justo, honesto. Estes critérios são, num primeiro momento, avaliados por mim, o que é difícil. Mas os leitores também poderão participar nessa avaliação, interagindo comigo. Em baixo, fica a minha caixa de correio electrónico, à disposição de todos os que quiserem criticar, sugerir, debater ou simplesmente trocar opiniões. Espero que seja uma aventura interessante.
O futuro o dirá. Uns gostarão de ler o que escreverei aqui; outros não simpatizarão nada com a ideia. O director do jornal fica desde já autorizado a “despedir-me” destas funções quando quiser. Não levo a mal.
Vou procurar escrever, essencialmente, sobre assuntos que digam respeito ao concelho de Abrantes e aos concelhos da área de abrangência de Primeira Linha. Por vezes, terei de recorrer a temas nacionais ou internacionais. Contudo, irei procurar sempre regressar à importância que esse assunto possa ter para a nossa região e para o nosso futuro.
O director deste jornal justificou o convite que me fez com uma realidade: agora já não estou directamente ligado a cargos partidários executivos. É verdade. Mas sou vereador e ainda tenho algumas responsabilidades comunitárias, porque sou, também, director de quatro Centros de Saúde: Abrantes, Constância, Mação e Sardoal. Senti, assim, que poderia haver algum conflito neste desafio. Mas depois pensei melhor e concluí: em 2009 não serei candidato, logo, não estarei a usar deste espaço para me promover. E quanto à saúde, fico livre desse compromisso no final do corrente mês de Março.
Concluo o mandato, cumprem-se três anos desde que assumi funções no Ministério da Saúde. Contrariamente ao pedido pelo Presidente da Câmara, em carta dirigida ao ministro da Saúde e em comunicado à população, pedindo a minha demissão, cumpri na íntegra o meu mandato. Penso que cumpri bem. Regresso agora à minha vida profissional e vou trabalhar fora do concelho, continuando no distrito de Santarém.
Estou e estarei vigilante. Porque estou preocupado, muito preocupado com o futuro do concelho de Abrantes, com o futuro de toda esta região de interior, cada vez mais distante do litoral e mais perto de um interior que perde, em cada ano, pujança, pessoas, empresas, capacidade de atracção e de fixação de pessoas. Estamos mais longe do litoral e poderíamos pensar que estamos, por isso, mais perto da Europa e, mais imediato, mais perto de Espanha e dos seus grandes centros: Madrid, Barcelona, Sevilha, Valladolid, Valência, Vigo, Málaga, Saragoça e outras grandes cidades. Mas não, estamos mais longe de uma e de outra realidades. Infelizmente.
A ESTA vai agora organizar um evento sobre comunicação e empreendedorismo. Espero que seja uma “pedrada no charco”. Mas estou céptico e tenho cada vez mais dúvidas que o modelo de desenvolvimento que estamos a adoptar nesta região seja eficaz.
Ao longo dos próximos tempos, procurarei ir aqui expondo o que penso sobre vários assuntos que são fundamentais para o nosso futuro colectivo.Para já, este primeiro artigo serve como “estatuto editorial” desta coluna que nasce.
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(crónica publicada no Jornal «Primeira Linha» de 22.03.2007)

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